Oferta de emprego dependerá de ajuste fiscal harmonizado com crescimento econômico

Novo governo terá de trabalhar em conjunto com a iniciativa privada e promover as devidas adequações para recolocar o país nos trilhos do crescimento

A capacidade de gerar emprego deverá ser uma das principais preocupações do novo presidente após a posse em janeiro de 2019. No entanto, o sucesso de ações neste sentido dependerá da compatibilidade entre equilíbrio fiscal e crescimento econômico.

Há uma série de fatores que combinados levam ao crescimento. Uma delas é a redução da carga tributária como incentivo a novos investimentos privados. Com este cenário consolidado, o aumento da oferta do emprego será, consequentemente, a resposta positiva à retomada do crescimento econômico. “Independentemente de quem ganhe, o grande desafio será gerar emprego”, assinala Maria Andréia Lameiras, da área de macroeconomia do Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea).

Para voltar a crescer, país terá de reduzir a máquina e criar boas condições para a retomada dos investimentos privados
Para voltar a crescer, país terá de reduzir a máquina e criar boas condições para a retomada dos investimentos privados

Segundo a especialista, que edita carta de conjuntura sobre mercado de trabalho, o governo tem tradicionalmente protagonismo para provocar contratações. “Emprego só vem com a volta do investimento. Principalmente, investimento em construção e em infraestrutura, que são bons gastos para melhorar a competitividade do país”, avalia Lameiras.

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, também assinala o papel que o governo poderá assumir para estimular a economia e gerar mais empregos. “É necessário o aporte de recursos e a adoção de políticas públicas de efeito multiplicador”, defende.

Maria Andréia Lameiras, do IPEA: “Emprego só vem com a volta do investimento”
Maria Andréia Lameiras, do IPEA: “Emprego só vem com a volta do investimento”

A convergência entre os dois especialistas sobre o papel do governo para estimular a economia e o emprego esbarra, porém, nas visões antagônicas que cada um tem sobre o grau do ajuste fiscal e a disponibilidade de dinheiro no caixa público.

Na avaliação do diretor do Dieese, é necessário perseguir o equilíbrio das receitas e despesas nas contas públicas, “mas a médio prazo”. Para ele, a atuação do governo deve ser mais rápida e aguda.

Clemente Ganz Lúcio, do DIEESE: “É necessário o aporte de recursos e a adoção de políticas públicas de efeito multiplicador”
Clemente Ganz Lúcio, do DIEESE: “É necessário o aporte de recursos e a adoção de políticas públicas de efeito multiplicador”

A técnica do Ipea assinala que “destruir empregos é mais fácil e reconstruir oportunidades demora mais”. Para ela, a capacidade de investimento do novo governo dependerá de acenos com o ajuste fiscal e com a agenda de reformas, em especial da Previdência Social. “Traduzindo, isso gera tranquilidade”, explicou.

A avaliação dela é de que sinais positivos – de que o governo atua para reequilibrar seu orçamento e reduzir as dívidas públicas – tiram a pressão sobre os juros e desenha um cenário que estimula a iniciativa privada a investir.

O economista da CNI, Marcelo Azevedo, acrescenta que no caso da indústria, os empresários voltarão a contratar quando houver sinais de “retomada [do crescimento econômico] constante e previsível”. Além do equilíbrio fiscal, Azevedo inclui como fatores que pesam na abertura de vagas na indústria o quadro comercial externo, a mudança em marcos regulatórios para a indústria e a modernização das regras tributárias.

Reforma trabalhista

Historicamente, a contratação na indústria ocorre após diminuição de estoques produzidos, eliminação da ociosidade produtiva de máquinas, da força de trabalho já empregada. Para Azevedo, as modificações na legislação trabalhista adotadas em 2017 “facilitarão a recuperação do emprego de forma mais rápida”.

De acordo com os resultados de agosto do CAGED, a reforma trabalhista apresenta impacto nas admissões por tempo parcial (7.374 admissões em agosto), por trabalho não contínuo, intermitente, (5.987 admissões) e nos acordos de desligamento de empregados (15.010 demissões).

(*) Da Redação, com informações de Agência Brasil

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