Abiove estima que país terá menor estoque de soja em 19 anos

Em  novo levantamento sobre a safra de soja do Brasil, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) prevê que o estoque final para o grão será de apenas 1,4 milhão de toneladas em 2018, o menor em 19 anos. A entidade ressaltou que essa nova perspectiva vai ao encontro dos planos chineses de comprar mais soja do Brasil.

Recentemente, uma grande esmagadora de soja da China afirmou que o país não deve comprar soja dos Estados Unidos nesta temporada em função do embate comercial entre os países. A empresa garantiu que os chineses darão foco às importações de grãos principalmente do Brasil.

Com isso, a Abiove, que previa anteriormente um estoque de quase 3,9 milhões de toneladas, revisou para baixo sua projeção e aposta agora em 1,4 milhão de toneladas, menor patamar desde 1999. Em 2017, o Brasil registrou um estoque final de 5,2 milhões de toneladas.

Esse tema foi debatido durante o 2º Fórum Soja Brasil, que aconteceu em Esteio (RS), no dia 30 de agosto, quando o analista de mercado Liones Severo alertou para os exageros estimados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que prevê que o Brasil terá um estoque final de 24 milhões de toneladas em 2018.

“O USDA disse que a Argentina acabará o ano com 30,8 milhões de toneladas e o Ministério de Agricultura do país diz que será de apenas 500 mil toneladas. Para o Brasil, a previsão da entidade é terminar o ano com 24 milhões de toneladas, mas a Conab diz que será de apenas 1,6 milhão. Já para a China, o USDA diz que terminará o ano com 23,4 milhões de toneladas, e segundo o Centro de Informações e Estatísticas da China terminará com 6 milhões. Só por aí dá para entender essas distorções”, afirmou Severo na ocasião.

Ainda segundo o analista, o Brasil precisa acordar e ter uma atitude condizente com sua posição: a de maior exportador da oleaginosa do mundo. “Não podemos seguir números que não são verdadeiros, isso depõe contra nossos preços. O USDA defende os interesses dos Estados Unidos, que é o país deles, favorecendo-o frente aos principais concorrentes”, garante. “Eles não querem perder o domínio do preço, por isso estão sonegando parte do consumo e colocando como estoques em países concorrentes.”

Produção

Já a produção estimada deve mesmo superar os 118,8 milhões de toneladas e bater novo recorde histórico, aponta a Abiove. Os números são bem parecidos com os estimados no mês anterior, de 118,7 milhões de toneladas.

A produção de farelo deve ficar em 32,8 milhões de toneladas em 2018, contra os 31,5 milhões do ano passado, também representando um recorde. No óleo a produção deve ser de 8,6 milhões de toneladas, ante os 8,4 milhões de 2017.

Exportações

Outro dado interessante se refere às exportações do complexo soja, no qual a Abiove prevê agora, que o Brasil deve embarcar 76,1 milhões de toneladas de soja em grão, contra as 68,1 milhões do ano passado. Nos últimos dois meses (julho e agosto), os embarques cresceram bastante se comparados aos mesmos períodos de 2017, por exemplo, mostrando esse reforço nas vendas.

O farelo também deve crescer em vendas ao exterior neste ano com 16,7 milhões de toneladas, ante as 14,3 milhões do ano passado.

Somente o óleo de soja deve diminuir as vendas, com 1,2 milhão de toneladas em 2018, contra 1,34 milhão de 2017.

 

FONTE: Daniel Popov, de São Paulo – Canal Rural

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