Ao priorizar etanol, indústria terá menor produção de açúcar

Previsão de consultoria aponta para uma redução para 28 milhões de toneladas, ante os 31 milhões de toneladas previstos no início da safra 2018/19

A preferência pela produção do etanol, somada à estiagem verificada nestes últimos meses resultará numa produção menor de açúcar na região centro-sul do Brasil. A previsão é da Safras & Mercado, que aponta para uma redução para 28 milhões de toneladas, ante os 31 milhões de toneladas previstos no início da safra 2018/19.

O volume estimado significa uma redução de 23 por cento na comparação com a produção de pouco mais de 36 milhões de toneladas do ano passado.

Se a previsão da Safras for confirmada, a produção de açúcar do centro-sul será a menor desde as 26,75 milhões de toneladas de 2008/09
Se a previsão da Safras for confirmada, a produção de açúcar do centro-sul será a menor desde as 26,75 milhões de toneladas de 2008/09

Se a previsão da Safras for confirmada, a produção de açúcar do centro-sul será a menor desde as 26,75 milhões de toneladas de 2008/09, tendo por base o histórico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Em todo o Brasil, a projeção de moagem situa-se entre 500 milhões e 600 milhões de toneladas de cana, sendo de 15 milhões a 17 milhões somente em Mato Grosso. No estado, as maiores produções estão concentradas na região sudoeste, com grandes canaviais em municípios como Barra do Bugres, Nova Olímpia, Denise, Santo Afonso, Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e São José do Rio Claro. Nestas regiões estão sediadas as usinas Itamarati (Nova Olímpia), Barralcool (Barra do Bugres), Coprodia (Campo Novo) e Libra (São José do Rio Claro).

Em Mato Grosso, as maiores produções estão concentradas na região sudoeste
Em Mato Grosso, as maiores produções estão concentradas na região sudoeste

Em comunicado, o analista da consultoria Maurício Muruci explicou que a revisão para baixo deve-se ao “fato de a safra estar muito mais alcooleira (em torno de 62 por cento em favor do etanol no mix) e, principalmente, à estiagem que assola o centro-sul desde março e que vai reduzir a qualidade da cana, um fator que favorece a produção de etanol”.

Estiagem

Com efeito, o Thomson Reuters Agriculture Weather Dashboard aponta chuvas entre 150 e 160 milímetros abaixo da média em algumas importantes áreas de São Paulo, principal produtor nacional, nos últimos quatro meses. A situação é mais grave no Paraná, onde as precipitações estão mais de 300 milímetros aquém do esperado em certas regiões.

Já em Mato Grosso, a seca é severa desde a primeira metade de junho, quando houve a última chuva. Novas precipitações estão previstas no estado somente a partir de setembro.
Assim, embora o tempo seco tenha contribuído para o avanço consistente da colheita, há a perspectiva de produtividade reduzida nos canaviais colhidos tardiamente.

Mais etanol

A Safras & Mercado prevê que a produção de etanol no centro-sul do Brasil cresça para 27 bilhões de litros em 2018/19, de 25,35 bilhões no ciclo passado.

Esse volume seria dividido em 17 bilhões de litros de hidratado, usado diretamente nos tanques dos veículos, e 10 bilhões de anidro, misturado à gasolina.

O etanol vem se mostrando mais atrativo para as usinas desde o ano passado, na esteira de mudanças tributárias, uma nova política de formação de preços da Petrobras e a queda das referências internacionais do açúcar. “As projeções de alta no preço do petróleo deverão dar fôlego à demanda para o etanol, com as usinas deixando de lado a produção de açúcar em um momento de grande superávit de oferta em termos globais e de queda de rentabilidade com a commodity”, disse o analista.
Para ele, há ainda uma queda nos investimentos em renovação de canaviais que, envelhecidos, perdem produtividade.

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