Presidente do Sindicam diz que é preciso diferenciar transportador de atravessador

Presidente do Sindicato dos Caminhoneiros, Edgar Laurini, afirmou que a aprovação da MP pelo Senado foi uma grande vitória da categoria

O posicionamento contrário da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a aprovação da medida provisória do preço mínimo do frete (MP 832/2018) é encarada como interpretação equivocada pelas lideranças dos caminhoneiros autônomos.

Em Tangará da Serra, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros, Edgar Laurini, afirmou que a aprovação da MP pelo Senado foi uma grande vitória da categoria. “Buscamos o preço mínimo desde 2014”, disse, destacando que as novas medidas, entre outros aspectos, democratizaram o transporte de cargas do governo. “Antes, o autônomo não tinha direito nem de colocar seu caminhão na fila para carregar e, muito menos, transportar. Agora, pode transportar para a Conab, com um valor razoavelmente bom”, considerou.

Laurini esclarece que preço mínimo não representa majoração do frete: “Pedimos o preço mínimo e não aumento”
Laurini esclarece que preço mínimo não representa majoração do frete: “Pedimos o preço mínimo e não aumento”

Laurini discorda da posição da CNI, que é bastante incisiva e traz em seu bojo a mensagem de que o frete mínimo resultará em aumento geral de preços ao consumidor. Sobre o posicionamento, ele cita a nota oficial divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que esclarece: “Os valores dos preços mínimos contemplarão somente os custos operacionais do transporte, considerando o quilômetro rodado por eixo carregado, as distâncias e as especificidades das cargas (geral, a granel, de frigorífico, perigosa ou neogranel)”.

Laurini complementa que preço mínimo não representa majoração do frete. “Pedimos o preço mínimo e não aumento. Porque, senão, inviabiliza para o caminhoneiro”, justificou.

Transportadores e atravessadores

Para contestar a posição da CNI sobre o suposto aumento geral de preços a partir da fixação do frete mínimo, Laurini disse que é preciso diferenciar algumas situações, fazendo uma “simples” comparação. “Por exemplo, uma empresa que trabalha com o chamado frete fracionado de São Paulo a Tangará da Serra – tenho documento para provar isso – cobra, sobre uma nota de R$ 1.470, um frete de R$ 750. Isso sim, acarreta aumento de preço para o consumidor. Neste caso, nós, autônomos, cobraríamos um frete equivalente a R$ 60. Só que nós transportamos alimentos e outras cargas por tonelada, não por quilo. Olha a diferença!”, relatou.

O presidente foi além e disse que é preciso saber diferenciar quem transporta cargas a partir de um frete viável de quem cobra muito caro para lucrar alto, como o atravessador. “Somos transportadores, e não atravessadores. E são os atravessadores que encarecem, que levam a maior fatia do bolo. Nós, caminhoneiros autônomos, cobramos um preço irrisório e não encarecemos nada a ninguém”, finalizou.

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