Fraqueza exposta: Greve impõe reflexos no varejo e nos serviços

Segundo IBGE, oito das dez atividades pesquisadas no varejo ampliado venderam menos em maio. Setor de Serviços sofreu retração de 3,8%.

A greve dos caminhoneiros do final de maio expôs a fraqueza da economia brasileira e evidenciou a qualidade de refém do país em relação ao modal rodoviário.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), oito das dez atividades pesquisadas no varejo ampliado venderam menos em maio na comparação com o mês anterior. A constatação vem da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada na última quinta-feira (12). “A paralisação dos caminhoneiros gerou choque de oferta que atingiu o comércio de forma generalizada, tanto no preço como nas vendas”, disse Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Paralisação dos caminhoneiros gerou choque de oferta que atingiu o comércio de forma generalizada
Paralisação dos caminhoneiros gerou choque de oferta que atingiu o comércio de forma generalizada

Um exemplo foi verificado no segmento de combustíveis. Com o desabastecimento nos postos, as vendas de combustíveis e lubrificantes recuaram 6,1% em maio, em relação ao mês anterior. Durante a paralisação, grandes filas se formaram nos poucos postos do país que tinham o produto. O abastecimento foi normalizado apenas no início de junho.

As vendas de automóveis, por sua vez, apresentaram queda de 14,6% entre abril e maio. Foi o pior resultado do setor desde abril de 2010 (-16,2%), de acordo com o IBGE. A paralisação dos caminhoneiros gerou paradas em montadoras e também indisponibilidade no transporte dos automóveis para as concessionárias.

Além disso, a dificuldade de circulação provocou recuo nas vendas de livros, jornais, revistas e papelarias (-6,7%), equipamentos e materiais para escritório e informática (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-3,2%), móveis e eletrodomésticos (-2,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos.

Serviços

Setor teve retração de 3,8% com a paralisação
Setor teve retração de 3,8% com a paralisação

O setor de serviços também foi impactado com a greve, sofrendo uma retração de 3,8% em maio na comparação com abril. O IBGE observa que este foi o resultado negativo mais intenso da série histórica, iniciada em janeiro de 2011.

Segundo o instituto, o setor de serviços representa 70% da composição do PIB. A queda de maio é a maior que a de fevereiro, cuja retração representou um percentual de 2,3%.

Este é o quarto resultado negativo consecutivo no acumulado de janeiro e maio, mas o menor em relação aos anos anteriores de 2015 (-3,6%), 2016 (-5%) e 2017 (-2,8%).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar