Greve dos caminhoneiros expôs necessidade de sistema multimodal

Segundo parlamentar, multimodalidade no transporte representa maior competitividade, redução de custos e agregação de valor à atividade produtiva.

Pavimentação na MT-339: Morosidade das obras preocupa.

A greve dos caminhoneiros ainda mostra seus efeitos no dia-a-dia dos brasileiros. A mobilização que expôs a fragilidade do país e seu gargalo logístico, paralisou quase todos os setores da economia e mostrou que o Brasil depende quase que exclusivamente do transporte rodoviário.

Os reflexos foram sentidos desde que os primeiros bloqueios começaram a ocorrer em vários estados. Logo de cara, houve falta de combustíveis e gás de cozinha. Em seguida, começou a faltar alimentos, remédios, insumos para hospitais, matéria prima para a indústria e vários itens que cotidianamente vão à mesa das famílias brasileiras. O movimento ainda ecoa no país com o atraso nos trabalhos dos Correios e num sem-número de situações desfavoráveis.

Por fim, os reflexos da paralização serão sentidos no PIB. Segundo pesquisa Focus realizada pelo Banco Central, a projeção do PIB para 2018 caiu de 2,18% para 1,94% na última semana. Para 2019, a projeção de crescimento do PIB decresceu de 3% para 2,8%.

Mas, se por um lado a greve arrefeceu a economia e penalizou a população ao afrontar um governo fraco e de popularidade ruim, por outro serviu de lição aos futuros gestores. “Ficou o ensinamento de que é preciso investir pesado em sistemas multimodais de transporte. O desabastecimento e a paralisação da economia mostram o mal que a dependência de um único modal pode causar a um país”, disse o deputado estadual Saturnino Masson (PSDB).

Saturnino, que é empresário do setor alimentício, sentiu na pele os efeitos da paralisação. “Não tinha como buscar o produto para processar, nem como levar até o consumidor”, testemunhou.

Projetos pendentes

Obras na MT-339: Continuidade da pavimentação da MT-339 é reivindicada com insistência junto ao governo.

O parlamentar chama atenção para a necessidade de apressar alguns projetos já em andamento no estado, como a pavimentação da MT-339 e a implantação do Porto de Cáceres. “A 339 e o porto formarão um sistema modal duplo que favorecerá o escoamento da produção regional e, também, a chegada de muitos produtos, além de atrair investimentos privados”, disse, adiantando que já prepara uma indicação ao governo. “Depois da lição dos caminhoneiros, não podemos mais admitir morosidade nestes projetos”, completou.

Saturnino (dir) pede a Pedro Taques pressa na execução de projetos de infraestrutura de transporte.

Outra obra cobrada por Saturnino junto ao governo é a pavimentação da MT-343, que liga a região de Barra do Bugres via Porto Estrela, até Cáceres. Segundo o deputado, a rodovia terá uma importância similar à da MT-339, já que aproximará a região do futuro porto de Cáceres.

Multimodalidade

Saturnino Masson também defende uma mobilização estadual em prol das ferrovias. Ele observa que Mato Grosso possui três grandes projetos, a Norte-Sul, a FICO (Ferrovia de Integração do Centro-oeste) e a Ferrogrão. “A FICO, por exemplo, vai cortar o país de leste a oeste e chegará em Lucas do Rio Verde, muito perto de Tangará e região sudoeste”, destacou o tucano.

O representante tangaraense na Assembleia Legislativa lembra, ainda, que Mato Grosso precisa de uma malha ferroviária que siga em todas as direções. “Multimodalidade representa maior competividade, redução de custos e agregação de valores na produção. Nosso estado precisa avançar nisso, assim como já fizeram os países desenvolvidos, onde rodovia, ferrovia e hidrovia compõem um sistema multimodal de transporte da produção e, por isso, são ricos, competitivos e não param de crescer”, concluiu.

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