Presidente do Sindicam alerta para interpretação equivocada do tabelamento

Presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Tangará da Serra observa que é importante fazer uma leitura correta sobre o advento do preço mínimo

A aprovação da medida provisória que estabelece preços mínimos para o frete foi saudada pelos caminhoneiros, mas a categoria não esconde a preocupação com a reação negativa dos principais setores da economia, como é o caso do setor produtivo.

Edgar Laurini: “Não vamos atingir o produtor e, sim, as tradings”
Edgar Laurini: “Não vamos atingir o produtor e, sim, as tradings”

O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Tangará da Serra, Edgar Laurini, observa que é importante fazer uma leitura correta sobre o advento do preço mínimo. “Deixamos claro que a real intenção dos transportadores é viabilizar a nossa atividade – que está quase impraticável em razão dos nossos custos – e não exatamente elevar os custos do frete”, disse, referindo-se à manifestação da Aprosoja-MT em relação ao tabelamento.

A Aprosoja, vale lembrar, recentemente emitiu nota posicionando-se contrariamente à edição da medida provisória 832/2018, onde o governo oficializa o tabelamento do frete rodoviário. “A auto regulação dos preços do frete deve ser conduzida, única e exclusivamente, pelo mercado, seguindo o princípio básico da economia de oferta e demanda”, consta na nota emitida pela diretoria.

A entidade alega que o tabelamento é um ato de “intervencionismo estatal na economia” e uma contraposição ao princípio da livre-iniciativa, além de uma claro sinal de que a majoração do frete acarretará aumento de todos os preços finais de produtos ao consumidor, “já que o país é totalmente dependente do modal rodoviário de transporte, o que acarretará aumento da inflação”.

Laurini discorda do posicionamento da Aprosoja e argumenta que, se houver um setor atingido, este não será o produtivo. “Não vamos atingir o produtor e, sim, as tradings”, justificou, observando que as multinacionais continuam cobrando mais caro do produtor e não repassa este valor aos caminhoneiros. Ele relata, como exemplo, que enquanto a multinacional embute no fertilizante um preço do frete de até R$ 230, os caminhoneiros não recebem mais que R$ 170. “As tradings não repassam para nós este valor, mas não deixa de cobrar do produtor”, disse.

Anistia a multas

Além do estabelecimento do preço mínimo do frete, o setor de transportes comemora o acolhimento da emenda proposta pelo deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que prevê anistia para as multas e sanções aplicadas aos caminhoneiros durante a paralisação da categoria. O texto prevê tanto as multas de trânsito, que foram aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal, quanto as multas resultantes de decisões judiciais.

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